sábado, 26 de julho de 2014

Vigilância Epidemiológica


Como define a Lei Orgânica da Saúde (Lei 8.080/90), a vigilância epidemiológica (VIEPI) é "U conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos”.

A Vigilância Epidemiológica é responsável por acompanhar o comportamento das doenças na sociedade, reunindo informações com objetivo de conhecer, detectar ou prever qualquer mudança que possa ocorrer nos fatores condicionantes do processo saúde-doença, bem como identificar a gravidade de novas doenças à saúde da população. De posse dessas informações deverá então, propor medidas de intervenção para reprimir ou amenizar os danos à população, elaborar ações e estratégias em saúde.


São funções da Vigilância Epidemiológica:


a)Coleta de dados sobre agravos e doenças;
b)Processamento dos dados coletados
c)Análise e interpretação dos dados processados
d)Recomendação das medidas de controle de agravos e doenças
e)Promoção das ações de controle indicadas
f) Avaliação da eficácia e efetividade das medidas adotadas
g)Divulgação de informações pertinentes sobre agravos e doenças


Ao Centro de Vigilância Epidemiológica cabe:
ü  

    Coordenar as ações de Vigilância Epidemiológica;
ü  Manter conhecimento atualizado da situação Epidemiológica das doenças e dos fatores que as condicionam;
ü Conhecer e prever a evolução do comportamento epidemiológico mediante a análise contínua dos dados de mobilidade;
ü  Divulgar, periodicamente, informes epidemiológicos;
ü  Propor e reformular normas relativas às doenças submetidas à Vigilância Epidemiológica;
ü  Supervisionar continuamente o Sistema de Vigilância Epidemiológica;
ü  Recomendar a inclusão de doenças no Sistema de Vigilância Epidemiológica;
ü  Assumir, quando necessário, controle operativo de situações epidêmicas, quer de doenças de notificação compulsória, quer agravos inusitados à saúde;
ü  Coordenar, em integração com o Departamento de Recursos Humanos, os programas de capacitação de pessoal para o funcionamento do Sistema;
ü  Assessorar o Secretário da Saúde em assuntos de Vigilância Epidemiológica;
ü  Promover a realização de pesquisas Epidemiológicas;
ü  Desenvolver trabalhos de Vigilância Epidemiológica junto às coordenadorias e assessorar os Coordenadores.


Aos Grupos de Vigilância Epidemiológica cabe:
ü  

    Coordenar, supervisionar e controlar as ações de Vigilância Epidemiológica;
ü  Analisar epidemiologicamente o comportamento das doenças sob Vigilância Epidemiológica;
ü  Coordenar em integração com as unidades centrais de Vigilância Epidemiológica e com os órgãos do Sistema de Administração de Pessoal na Secretaria, o treinamento e a capacitação do pessoal em Vigilância Epidemiológica ;
ü  Propor, executar e participar de inquéritos e investigações Epidemiológicas;
ü  Supervisionar o Sistema de Vigilância Epidemiológica;
ü  Cumprir normas e fluxos;
ü  Assistir o Diretor do Departamento em assuntos de vigilância epidemiológica.
Áreas de atuação


O acompanhamento das Doenças transmissíveis e não-transmissíveis se da por meio de setores:


*Setor de Controle de Agravos
1. Assessorar os núcleos de Vigilância Epidemiológica nos Distritos Sanitários
2. Normatizar rotinas e procedimentos, para atuação em Vigilância Epidemiológica, no âmbito do município
3. Identificar e analisar fatores condicionantes dos meios biológicos e ambientais na propagação de doenças
4. Dar apoio técnico e operacional para o desenvolvimento de programas, projetos e atividades de Vigilância Epidemiológica, fixando responsabilidade nos Distritos Sanitários
5. Manter fluxo sistemático e atual dos dados de investigações e inquéritos epidemiológicos, sobretudo às doenças de notificação compulsória
6. Exercer outras competências correlatas

*Setor de Controle de Doenças Imunopreviníveis
1. Assegurar a execução de Programas de imunização, através dos Distritos Sanitários
2. Acompanhar coberturas vacinais para intervenções, quando necessário
3. Manter articulação inter e intra institucional para garantir as coberturas programadas
4. Exercer outras competências correlatas

*Setor de Análises Epidemiológicas
1. Analisar dados prevendo as tendências dos agravos no plano municipal comparando-os com indicadores de saúde
2. Orientar intervenções pertinentes
3. Participar de Inquéritos Epidemiológicos
4. Assessorar e apoiar tecnicamente os Distritos Sanitários, nas ações de prevenção, controle de doenças e tendências dos demais agravos à saúde
5. Identificar e analisar tendências dos agravos agudos no município


Situação Atual


A vigilância epidemiológica é uma atividade exclusiva dos serviços públicos, ainda que não deva ser assim, necessariamente. Com a implantação do SUS, foram introduzidos mecanismos de financiamento das ações de saúde, que, no entanto, foram adaptados dos mecanismos anteriormente existentes, herdados do extinto Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social (INAMPS). Esses mecanismos preveêm apenas ações médico-hospitalares (essencialmente curativas e individualizadas), não preveêm ações de saúde pública, que na estrutura de saúde anterior ao SUS não competiam aos institutos de previdência, mas ao Ministério da Saúde.

O financiamento dessas ações era contemplado através de financiamentos diretos do Ministério da Saúde aos estados e municípios, geralmente através da Funasa, contemplando programas específicos de controle e repassados através de convênios. As prioridades de vigilância e, consequentemente, de controle, eram determinadas não pelo contexto epidemiológico mas pelos interesses do Ministério da Saúde, resultando no desenvolvimento desigual da infra-estrutura de assistência médico-hospitalar em relação à de vigilância e controle de doenças.

Até o final do século XX, não havia nenhum mecanismo de financiamento das ações assim ditas “coletivas”, entre elas a vigilância epidemiológica. Em 1999 o governo federal introduziu a Programação Pactuada Integrada – Epidemiologia e Controle de Doenças (PPI-ECD)[5] , um sistema de financiamento das ações de saúde coletiva, incluída aí a vigilância epidemiológica, baseada não no ressarcimento por atividade, mas no repasse de recursos, diretamente aos fundos municipais e estaduais de saúde, baseada num critério misto de população, extensão territorial e contexto epidemiológico.

O princípio dessa sistemática de financiamento já estava previsto na Norma Operacional Básica de 1996, mas só foi regulamentada pela Instrução Normativa [Funasa] Nº 02, em 6 de dezembro de 2001, o que representou um avanço significativo, permitindo a criação e manutenção de diversos serviços municipais de vigilância epidemiológica.


Perspectivas


A tendência da saúde pública no concernente ao controle das doenças é bastante clara. Cada vez mais a vigilância, coleta e análise de dados, gerando informação para subsidiar as intervenções, vem se tornando uma atividade insubstituível.

O crescimento em importância da vigilância coincide com o fim da era industrial, com o surgimento da sociedade pós-moderna estruturada na informação. A moderna saúde pública não pode prescindir da vigilância, daí que se observa a re-estruturação dos serviços de saúde pública a partir dessa lógica. Infelizmente, instituições públicas são notoriamente refratárias à mudança, o que gera um descompasso em relação às necessidades vigentes em vigilância e controle de doenças.

O planejamento de qualquer ação de controle deverá levar em conta a definição da doença e seu impacto sobre a mortalidade, a morbidade, a ocorrência de seqüelas, a opinião pública e o custo econômico. Essa avaliação nem sempre é objetiva, muitas vezes a opinião pública dificulta uma análise fria da situação, levando a uma alocação desigual de recursos para o controle de diferentes doenças, como pode ser comprovado com a aids e a malária, pois mesmo a malaria determinando uma mortalidade muita maior do que a da AIDS, ela foi relegada a um segundo plano na prioridade de alocação de recursos para pesquisa e controle.

A se manter o atual rumo da re-estruturação dos serviços de saúde pública em todo o mundo, teremos serviços de vigilância e controle mais ágeis, menores e descentralizados, infelizmente não com urgência que se faz necessária.

Fisioterapia e Vigilância Epidemiológica


As mudanças no perfil epidemiológico e as transformações no sistema de saúde brasileiro, com destaque para a implantação do SUS, impõem novos desafios à fisioterapia e novas responsabilidades aos profissionais, cabendo à fisioterapia uma releitura de seus fundamentos e análise de sua prática, com vistas a adaptar-se a essa realidade e contribuir para a mudança do quadro social e sanitário do país, pois os conhecimentos inerentes à fisioterapia também podem contribuir para prevenção de doenças e sequelas, quando utilizados em outros níveis de atenção.

Com a atuação dentro de um território estabelecido e como uma população definida, o fisio-terapeuta passa ter a possibilidade de acompanhar mais proximamente e ser responsável pela saúde da população adscrita.

Ao relacionar a atuação do fisioterapeuta com os níveis de prevenção, observa-se uma atuação destinada ao controle de danos (doenças, sequelas e agravos), ou seja, restringindo-se ao nível da reabilitação. Mas, diante dos novos desafios da sociedade brasileira, com profundas mudanças na organização social, no quadro epidemiológico e na organização dos sistemas de saúde, surge a necessidade do redimensionamento do objeto de intervenção da fisioterapia, que deveria aproximar-se do campo da promoção da saúde e da nova lógica de organização dos modelos assistenciais, sem abandonar suas competências concernentes à reabilitação.

O fisioterapeuta atua na:
ü      
            Vigilância dos distúrbios cinesiofuncionais;
ü       Orientações posturais;
ü       Desenvolvimento da participação comunitária;
ü       Desenvolvimento de ambientes saudáveis;
ü   Incentivos a estilos de vida saudáveis.Torna-se necessária uma aproximação da fisioterapia com a vigilância epidemiológica com vistas à identificação e acompanhamento de problemas que requerem atenção contínua, ação sobre territórios definidos e articulação entre as ações promocionais, preventivas, curativas e reabilitadoras.
Para a identificação desses riscos, duas necessidades impõem-se ao profissional fisioterapeuta:
 Atuação em equipe multidisciplinar;
ü 
      Utilização de conhecimentos de outras áreas do saber, como a epidemiologia, a geografia e as ciências sociais (oferecendo conhecimentos quanto à distribuição das doenças nas coletividades, sua magnitude e potenciais fatores de risco, e das ciências sociais, que poderão desvelar os fatores culturais, comportamentais e religiosos do processo saúde-doença, bem como subsidiar a contextualização da realidade histórico-social na determinação do risco).

   O profissional fisioterapeuta deve interatuar não só com profissionais da área de saúde, como médicos, enfermeiros, psicólogos, agentes comunitários de saúde, nutricionistas, etc., como também com profissionais de outras áreas do saber, como sociólogos, antropólogos, historiadores, estatísticos, engenheiros, educadores, dentre outros.

Referencias


MARCADORES INFLAMATÓRIOS NO TRAUMATISMO CRÂNIO-ENCEFÁLICO (TCE)


Conceito

Segundo considerações de Gennarelli, o TCE é entendido como sendo “Qualquer agressão física que acarrete lesão anatômica ou comprometimento funcional do couro cabeludo, crânio, meninges, líquor ou encéfalo, em qualquer combinação”.

Segundo Frankowski (1985), a casuística relatada nos serviços de saúde dos Estados Unidos mostra que mais de dois milhões de pacientes com TCE são atendidos por ano, sendo que 25% destes pacientes ficam hospitalizados. Cerca de 10% de todas as causas de óbito nos EUA são decorrentes de lesões traumáticas sendo a metade constituída por TCE.

O traumatismo crânio-encefálico (TCE) é o principal determinante de morbidade, incapacidade e mortalidade em pessoas entre 1 e 44 anos.(1) O TCE grave está associado a uma taxa de mortalidade de 30 a 70%,(2) e a recuperação dos sobreviventes é marcada por seqüelas neurológicas graves e por uma qualidade de vida muito prejudicada. Estima-se em 500.000 o número de mortes por ano ocasionadas por TCE, sendo aproximadamente 10% aqui no Brasil. A incidência é três a quatro vezes maior nos homens do que nas mulheres.

As causas por TCE incluem arma de fogo ou objetos contundentes, acidentes automobilísticos (freqüente no pós-adolescente e adulto jovem), quedas (frequente no idoso), grandes catástrofes e atividades esportivas. 

Freqüentemente o TCE ocorre em associação a lesões traumáticas buco-maxilofaciais, necessitando de cuidados mais específicos.

Vários são os mecanismos responsáveis pelos TCEs. Lesões corto-contusas, perfurações, fraturas de crânio, movimentos bruscos de aceleração e desaceleração e estiramento da massa encefálica, dos vasos intracranianos e das meninges (membranas que revestem o cérebro). As lesões podem ser focais ou generalizadas. As focais localizam-se próximas à área do trauma ou em áreas mais distantes.

A gravidade do TCE é comumente determinada utilizando-se a Escala de Coma de Glasgow (GCS - Glasgow Coma Scale), usada como um dos mais importantes preditores de desfecho no TCE, embora outras variáveis, como idade, respostas motoras anormais, achados tomográficos, anormalidades pupilares e episódios de hipóxia e hipotensão tenham sido subseqüentemente introduzidas na tentativa de uma determinação mais acurada do prognóstico. A escala funcional de Glasgow (GOS, Glasgow Outcome Scale) é a escala mais usada para avaliação do prognóstico funcional após o TCE. Ela apresenta importantes deficiências e a avaliação precoce do dano cerebral pode ser muito difícil durante a estada do paciente na unidade de terapia intensiva (UTI).

Diagnóstico

Deve-se procurar saber sobre a causa do traumatismo, a intensidade do impacto, a presença de sintomas neurológicos, convulsões, diminuição de força, alteração da linguagem, e, sobretudo, deve-se documentar qualquer relato de perda de consciência.

A amnésia para o evento é comum, podendo haver, também, perda de memória retrógrada (para eventos ocorridos antes do trauma) ou anterógrada (para os eventos que se sucederam logo após o trauma). 

Amnésia cuja duração é superior a 24 horas é indicativa de que o TCE foi mais intenso, e pode estar relacionada com prognóstico menos favorável.

A alteração da consciência é o sintoma mais comum dos TCEs. O coma pode durar horas, dias ou semanas, dependendo da gravidade e localização da lesão, sendo prolongado em lesões difusas do encéfalo ou do tronco encefálico com contusão ou laceração de amplas áreas cerebrais, tumefação ou edema importante. Dor de cabeça intensa, sobretudo unilateral, pode indicar lesão expansiva intracraniana,, e na região occipital pode ser indicativa de fratura do odontóide (estrutura da secunda vértebra que se articula com a primeira).

Exame Físico

O exame físico inicial, na fase aguda, deve ser rápido e objetivo. O exame da pele da cabeça deve ser feito com cuidado. Fraturas no crânio devem ser procuradas. Fraturas da base do crânio podem ser suspeitadas pela presença de sangue no tímpano e pela drenagem de líquido cefalorraquidiano pelo ouvido ou nariz.

O propósito do exame neurológico inicial é determinar as funções dos hemisférios cerebrais e do tronco encefálico. Os exames subseqüentes são importantes para verificar a evolução do paciente, se está havendo melhora ou deterioração do seu quadro clínico, aliando-se à escalas neurológicas desenhadas para permitir quantificar o exame neurológico (Glasgow), devendo ainda incluir a avaliação dos nervos cranianos e exame de fundo de olho (para verificar a presença de edema de papila presente no edema cerebral ou na hipertensão intracraniana), assim como os reflexos pupilares e os movimentos oculares.

Exames Complementares
  • Radiografia de crânio nas incidências ântero-posterior e lateral (para fraturas da convexidade)
  • A tomografia computadorizada de crânio pode demonstrar fraturas, hematomas intra e extra-cerebrais, áreas de contusão, edema cerebral, hidrocefalia, e sinais de herniação cerebral.
  • A ressonância magnética permite verificar a presença de hematomas subdurais, além de definir melhor a presença de edema, dificilmente utilizado no TCE por ser um exame prolongado.
  • A angiografia cerebral é indicada para avaliar lesões vasculares no pescoço ou na base do crânio.
Edema Cerebral

Tumefação cerebral pode ser devida a edema cerebral (aumento do teor de água extravascular) ou por aumento da volemia do cérebro pela vasodilatação anormal. A tumefação pode ser difusa ou focal.

O aumento do volume pós lesão traumática cranioencefálica é comum. Haverá aumento de volume extravascular cerebral. Como no cérebro não há vascularização linfática, há grande gravidade nesta situação. O edema cerebral pode ser classificado como de origem citotóxica, intersticial ou vasogênica. O aumento de volume pode ser difuso ou focal, havendo efeito de massa com compressão ventricular. O edema cerebral de origem traumática imagina-se ocorrer decorrente de uma dilatação anormal dos vasos, hiperperfusão e aumento da permeabilidade vascular, ocorrendo extravasamento de plasma e edema cerebral vasogênico.

Marcadores no TCE

Um bom biomarcador de lesão cerebral deve ser sensível e ter alta especificidade para tecido cerebral. Deve ser medido em soro, pois líquido céfalo-raquidiano nem sempre é disponível, e, no TCE grave, ocorre uma ruptura da integridade da barreira hemato-encefálica. Deve ter pouca variabilidade relacionada a sexo e idade. Deve, também, ter valor clínico em pacientes com politraumatismo associado. Muitas proteínas sintetizadas nas células da astróglia ou nos neurônios têm sido propostas como marcadores de dano celular do SNC. Marcadores relacionados aos mecanismos fisiopatológicos envolvidos em lesão secundária também estão sendo pesquisados. Dentre eles se destacam: os marcadores teciduais (S100B, Enolase neuronal específica, Proteína glial fibrilar ácida, Creatina-quinase BB, Fator neurotrófico derivado do cérebro, Proteína mielina básica), os marcadores de excitotoxicidade e proteólise, os marcadores de marcadores de morte celular (Marcadores de apoptose, Ácido desoxirribonucléico plasmático), marcadores de estresse oxidativo, marcadores de lesão vascular, as proteínas de estresse celular, os marcadores neuroendócrinos, e os marcadores inflamatórios.

Marcadores Inflamatórios

Resposta inflamatória sistêmica intensa, afetando tanto tecido cerebral traumatizado quanto sadio, é freqüente no TCE.

A resposta de estresse inflamatório inclui ativação do complemento e supra-regulação de moléculas de adesão no endotélio de vasos cerebrais associada com acúmulo de neutrófilos e produção de citocinas.

O papel dos mediadores inflamatórios no desenvolvimento da lesão secundária tem sido investigado, como as citocinas. Entre as citocinas, o interesse está particularmente focado na interleucina 1β (IL-1β), fator de necrose tumoral α (TNFα), na interleucina 6 (IL-6) e na interleucina 8 (IL-8).

A interleucina-8 (IL-8) é considerada uma das principais citocinas envolvidas na patofisiologia do TCE. Ela é produzida por vários tipos celulares, incluindo neutrófilos, células endoteliais, astrócitos e células da micróglia. A liberação de IL-8 é estimulada por outras citocinas, como a IL-1, e por hipóxia, isquemia e reperfusão, os quais são os mecanismos básicos do estresse oxidativo pós-traumático. Numerosos estudos experimentais indicam que a IL-8 tem um papel crucial na resposta inflamatória ao estresse no TCE. Estudos em humanos também sugerem que os níveis plasmáticos de IL-8 possam ser um parâmetro preditivo de mortalidade em TCE grave isolado.

Os astrócitos e a micróglia, logo após o trauma, liberam IL-1β e TNFα, levando a uma liberação adicional de citocinas e à produção de mediadores do sistema imune periférico. Estudos clínicos têm demonstrado níveis elevados de TNFα em pacientes com TCE.

O papel da IL-6 é mais ambíguo, pois tem tanto ação pro- quanto antinflamatória. Níveis elevados de IL-6 no plasma e no líquor são encontrados após TCE. A IL-6, por estimular a secreção de vasopressina, pode estar envolvida na patogênese da síndrome de secreção inapropriada de hormônio anti-diuretico (ADH - antidiuretic hormone) após o TCE.

A pesquisa de biomarcadores com valor prognóstico no TCE grave representa um campo promissor de progresso no manejo do TCE. 

Referências

OLIVEIRA, Carla Oliveira; IKUTA, Nilo; REGNER, Andrea. Artigo de revisão: Biomarcadores prognósticos no traumatismo crânio-encefálico grave. Revista Brasileira de Terapia Intensiva; 20(4): 411-421, 2008. 

MARSHALL, L. F.; MARSHALL, S. B.; KLAUBER, M. R.; el al. A new classification of head injury based on computerized tomography. J Neurosurg. 1991;75 Suppl:S14-20.

FRANKOWSK, R. F.; ANNEGERS, J. F.; WHITMAN, S. Epidemiological and descriptive studies. Part 1. The descriptive epidemiology of head trauma in the United States. In: Becker DP, Povlishck JT, eds. Central Nervous System Trauma Status Report – 1985. Bethesda: National Institute of Health, NINCDS, 1985: 33-43

GENNARELLI, T. A. Cerebral Concussion and Diffuse Brain Injuries. In: Head Injury. Cooper PR. pp. 137-158. 1993.



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segunda-feira, 9 de junho de 2014

Blog FisioExperts tem cunho essencialmente informativo e educativo, direcionado a elencar sobre os temas que norteiam a digna profissão de Fisioterapia, de forma a complementar o conhecimento dos profissionais e estudantes.



"Ser fisioterapeuta é acreditar que dias melhores virão. É vencer o sentimento de onipotência que nos é erroneamente delegado, é reconhecer nossos próprios limites."
"O movimento é a nossa arma e arte, através dele fazemos ciência. Nele depositamos nossos sonhos de trazer à vida o que sem vida parece estar."

Qual área da Fisioterapia que você se identifica?